Alto grau de indefinição sobre gastos e reforça o peso das decisões tomadas às vésperas da folia;
O Carnaval de 2026 deve ser marcado menos pelo planejamento e mais pela decisão de última hora. Embora apenas uma parcela dos brasileiros pretenda gastar no período, o comportamento desse grupo revela um traço decisivo para o comércio: 48% ainda não sabem quanto vão desembolsar com produtos e serviços ligados à festa.
O dado, revelado pela pesquisa “Intenção de Consumo Carnaval 2026”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, indica que o consumo carnavalesco tende a acontecer de forma espontânea, fragmentada e altamente sensível ao contexto, como clima, agenda social, promoções e facilidade de acesso.
Indefinição abre espaço para o impulso
Mesmo com uma intenção média de gasto estimada em R$ 1.096, quase metade dos consumidores que pretendem gastar ainda não definiu um valor. Na prática, isso significa que boa parte do consumo será decidida nos dias imediatamente anteriores ou durante o Carnaval, à medida que as programações se confirmam e a disposição financeira é testada.
Esse padrão favorece compras rápidas, de baixo esforço e alta conveniência, especialmente em categorias como alimentação, bebidas, transporte e serviços urbanos.
O perfil das celebrações ajuda a explicar o comportamento impulsivo. Reuniões com amigos e familiares, blocos de rua e eventos próximos ao bairro lideram as preferências, o que reduz a necessidade de planejamento prévio e amplia a chance de gastos pontuais ao longo do período.
Nesses contextos, o consumo não nasce de uma lista organizada, mas da necessidade imediata: mais bebida, comida, transporte ou algum serviço de apoio à experiência da festa.
PIX reforça decisões rápidas
O protagonismo dos pagamentos à vista também contribui para a dinâmica impulsiva. 93% dos consumidores pretendem pagar à vista, com destaque para o PIX (65%), seguido do cartão de débito. A facilidade do pagamento instantâneo reduz a fricção no momento da compra e acelera a tomada de decisão.
Ao mesmo tempo, 32% ainda pretendem parcelar, principalmente no cartão de crédito, o que indica que parte do impulso pode ultrapassar o orçamento inicialmente imaginado.
A pesquisa mostra que 49% dos consumidores admitem que costumam extrapolar os gastos no Carnaval, sobretudo com comidas, bebidas, festas e viagens. A combinação entre indefinição prévia, pagamento facilitado e clima emocional da data cria um ambiente propício ao consumo acima do planejado.
O dado ganha ainda mais relevância quando se observa que uma parcela significativa dos consumidores que pretendem gastar possui contas em atraso, o que amplia o risco financeiro pós-folia.
Oportunidade e alerta para o comércio
Para o varejo e o setor de serviços, o Carnaval impulsivo representa oportunidade de curto prazo, mas exige leitura fina do comportamento do consumidor. Quem conseguir oferecer conveniência, disponibilidade imediata e comunicação clara tende a capturar parte relevante desse consumo tardio.
Por outro lado, o cenário reforça a necessidade de atenção a práticas responsáveis, transparência de preços e estímulo ao consumo consciente.
O Carnaval de 2026 promete ser vivido no calor do momento e, para muitos consumidores, comprado da mesma forma.
Fonte: https://cndl.org.br/varejosa/carnaval-impulsivo-compras-de-ultima-hora-devem-marcar-2026/
